NADANDO DE

BRAÇADA

SEMANA 11 – Política de Investimentos

Estamos na última semana do Desafio Visão Educa. Esperamos que tenha usufruído do conteúdo da #nadandodebraçada e que tenha ajudado você a se aprofundar nesse universo financeiro e previdenciário.

Nessas últimas semanas, procuramos abordar os mais diferentes conceitos sobre o mercado financeiro, com o objetivo de contribuir para você administrar melhor seu plano de previdência e outros investimentos.

Acreditamos que agora você está pronto para analisar com mais detalhes as Políticas de Investimentos dos Planos da Visão Prev, assunto que queremos abordar essa semana, trazendo alguns itens adicionais sobre esse documento. Vamos lá?

Política de Investimentos

Como vimos anteriormente, a Política de Investimentos é o documento onde são definidas as diretrizes que servirão como base para a gestão de longo prazo dos ativos de um plano de benefícios, ou seja, é o documento que define as regras de como e onde os recursos garantidores dos planos de benefícios e de gestão administrativa serão investidos. Ela compreende aspectos práticos, como limites de concentração e de riscos, assim como aspectos estratégicos, como segmentos e classes de ativos.

Além de tudo, a Política de Investimentos é uma exigência legal: a Resolução CMN nº 4.661/ 2018 e a Resolução CNPC nº 32/2019 determinam a adoção de uma política de investimentos para estabelecer a estratégia de longo prazo (mínimo de 60 meses) para alocação dos ativos de cada plano, que deve ser aprovada pelo Conselho Deliberativo da entidade antes do início do exercício a que se referir e deve ser revisada anualmente.

Abrangência

Conforme a Instrução Previc nº 35/2020, a política de investimento deve conter, no mínimo, as seguintes informações:

a) precificação dos ativos financeiros com metodologia ou as fontes de referência adotadas;

b) avaliação dos riscos de investimento, incluindo os riscos de crédito, de mercado, de liquidez, operacional, legal, sistêmico e outros inerentes às operações;

c) seleção, acompanhamento e avaliação de prestadores de serviços relacionados à administração de carteiras de valores mobiliários e de fundo de investimento;

d) observância dos limites e requisitos da Resolução CMN nº 4.661, de 2018;

e) avaliação, gerenciamento e acompanhamento do risco e do retorno esperado dos investimentos em carteira própria;

f) separação de responsabilidades e objetivos associados aos mandatos de todos os agentes que participem do processo de análise, avaliação, gerenciamento, assessoramento e decisão sobre a aplicação dos recursos dos planos da entidade, inclusive com a definição das alçadas de decisão de cada instância; e

g) mitigação de potenciais conflitos de interesse de seus prestadores de serviços e das pessoas que participam do processo decisório.

Este tópico tem a finalidade de mostrar como funciona a elaboração da Política de Investimentos, na prática, pela Visão Prev. Para isso, vamos apresentar algumas etapas seguidas e alguns temas específicos.

Objetivo

Todos os anos, as Políticas de Investimentos dos planos da Visão Prev são reavaliadas durante todo o segundo semestre.

O processo inicia com a definição do objetivo da política para o próximo período de validade, tema esse discutido e analisado pelo Comitê de Investimentos e pelas áreas afins. Parece uma definição simples, mas não é. Para estabelecer o objetivo da política de investimentos, é preciso compreender com clareza o contexto do momento e traçar possíveis cenários para o período.

Cenário Prospectivos

A Visão Prev, com a assessoria de seus gestores externos de investimentos e de consultoria econômica especializada, elabora cenários prospectivos (otimista, base e pessimista), considerando aspectos econômicos e políticos, locais e globais. Também estima as respectivas probabilidades de ocorrência de cada projeção de cenário e calcula seus possíveis impactos no portfólio da entidade; para isso, constrói simulações de composições de carteiras para cada perfil de investimentos.

É preciso saber que sempre são observados princípios fundamentais, como segurança, transparência, solvência, liquidez, adequação à natureza de suas obrigações, além do princípio de gestão prudente baseada em riscos, ou seja, diversificação dos ativos na busca do retorno esperado pelo menor nível de risco estimado. Isto não significa estabelecer uma gestão que tenha por objetivo evitar qualquer risco, o que a tornaria reativa e impensada, mas sim, que os riscos devem ser identificados, seus impactos devem ser compreendidos e monitorados.

Busca por Rentabilidade

Com os possíveis cenários definidos e as otimizações das carteiras simuladas, o Comitê de Investimentos da Visão Prev analisa as oportunidades de investimentos entre as diversas classes de ativos existentes no mercado, com o objetivo de maximização do retorno ajustado ao risco.

Não só as expectativas de risco e retorno das classes de ativos são consideradas nas simulações de otimizações das carteiras, mas também as características de cada perfil de investimentos. Os perfis com objetivo de baixa volatilidade deverão alocar nas classes de ativos de menor risco, como o perfil Super Conservador, por exemplo. Em contrapartida, os perfis que permitem maior volatilidade, deverão alocar nas classes de ativos que buscam maior retorno e consequentemente, apresentam maior risco.

Com estas análises, recomendam-se os segmentos, as classes de ativos e seus benchmarks, o nível de risco para cada segmento e um orçamento de risco para cada mandato de gestão de investimentos, que deverão ser aprovados pelo Conselho Deliberativo da entidade.

As mudanças contínuas nos cenários globais e a tendência de manutenção das taxas de juros em patamares baixos têm demandado cada vez mais dinamismo e inovação na gestão dos investimentos, assim como maior dificuldade na obtenção de retorno real em ativos livres de risco. Por isso, a política de investimentos deve ser elaborada de forma a assegurar um processo de gestão dinâmico e célere. Para garantir esse dinamismo e celeridade, A Visão Prev institui bandas de alocação tanto para os segmentos quanto para as classes de ativos, nas políticas de investimentos de seus planos.

Já o alinhamento dos investimentos com o passivo do plano (pagamento de benefícios) ocorre através da escolha individual dos participantes pelos diferentes perfis de investimentos disponibilizados. Nesta escolha, o participante deve considerar que, quanto maior o prazo estimado para iniciar o recebimento de benefícios, maior o horizonte de tempo para alocação em risco e consequente busca de maior retorno.

Gestão de Riscos Financeiros

Todos os anos, a Visão Prev revisa os níveis e orçamentos de risco para a Política de Investimentos, assim como as formas de controle de risco de mercado, de crédito, de liquidez, além de risco operacional, legal e sistêmico.

Risco de Mercado

Risco de Mercado pode ser definido como a possibilidade de ocorrência de perdas resultantes da oscilação dos preços dos ativos. 

A Política de Investimentos deve estabelecer os limites de exposição, assim como a forma de controle de risco de mercado: limites de VaR (perdas máximas potenciais de capital) ou Benchmark VaR (desvios potenciais dos retornos em relação ao benchmark), testes de estresse (utilização de cenários de alta volatilidade para avaliação de impactos), além dos parâmetros que deverão ser adotados e as ações em caso de rompimento dos limites estabelecidos.

O monitoramento destes limites é efetuado pelo administrador fiduciário dos fundos de investimentos, contratado pela Visão Prev e pela área interna de Riscos Financeiros.

Risco de Crédito

O risco de crédito é a possibilidade de ocorrência de perdas financeiras em decorrência do não cumprimento pelo tomador ou contraparte de suas respectivas obrigações pactuadas (default), ou em decorrência da desvalorização do ativo de crédito, devido à deterioração na classificação de risco do tomador.

A Política de Investimentos deve conter as restrições e especificações para seleção de ativos de emissões privadas, que devem ser monitoradas e revistas pelo Comitê de Investimentos periodicamente e sempre que necessário. A Visão Prev adota lista de contrapartes (whitelist), que são previamente analisadas e enviadas pelos gestores dos fundos de crédito privado e são avaliadas e aprovadas (ou vedadas) pelo Comitê de Investimentos. Trimestralmente, os gestores de fundos e o Comitê de Investimentos reavaliam as whitelists, podendo incluir ou excluir emissões.

Além disso, a política deve conter o tratamento a ser dado para casos de rebaixamento de rating (piora do grau de risco).

Risco de Liquidez

Risco de Liquidez é a possibilidade de incapacidade de liquidar determinado ativo em tempo hábil. A Política de Investimentos deve conter a forma de controle de liquidez dos fundos e das carteiras, com objetivo de garantir que cada plano tenha liquidez suficiente para honrar seus compromissos.

Prestadores de Serviços

A gestão dos fundos de investimentos onde os recursos dos planos são alocados é feita por gestores terceirizados, selecionados a partir de um processo que é descrito na Política de Investimentos. O processo considera análises quantitativas, qualitativas e due diligences, efetuadas pelas áreas internas de Investimentos e Riscos, além de submissão aos membros do Comitê de Investimentos, para que os pré-selecionados sejam ou não recomendados para aprovação da diretoria executiva.

O gestor selecionado a partir do processo descrito em política continua sendo monitorado pela Visão Prev, através de calls mensais e reuniões trimestrais. Além disso, sempre que necessário, poderão ser solicitadas participações dos gestores em reuniões com o Comitê de Investimentos, com o objetivo de explicação de baixa performance ou qualquer tipo de desvio. Os gestores devem seguir rigorosamente a legislação vigente e a política da entidade.

O monitoramento da performance dos gestores é realizado através de relatórios elaborados pela Visão Prev, que são divulgados diariamente para todos os membros da diretoria executiva, Comitê de Investimentos, Conselhos Deliberativo e Fiscal.

Também são descritos na Política de Investimentos os critérios para seleção de prestador de serviços de custódia e controladoria, assim como a metodologia de avaliação em relação ao atendimento dos SLAs (Service Level Agreement) acordados em contrato entre as partes.

Esperamos que tenha gostado do Desafio da #nadandodebraçada e que continue explorando esse universo para continuar aprendendo e se desenvolvendo. Não deixe de revisitar os conteúdos, se, por acaso, ficou com alguma dúvida, pois o material ficará disponível em nosso blog. Até mais! 

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